domingo, 12 de outubro de 2014

Felicidade

Buda ensinou que até mesmo a sua felicidade é dukkha – palavra páli que significa "sofrimento" ou "insatisfação". É inseparável do seu oposto. Significa isso que a sua felicidade e infelicidade são de fato uma só. Apenas a ilusão do tempo as separa.

Não é que eu esteja a ser negativo. Estou simplesmente a reconhecer a natureza das coisas, de modo a não correr atrás de uma ilusão para o resto da sua vida. Nem estou a dizer que você deveria deixar de apreciar as coisas ou as condições agradáveis ou belas. Mas através delas procurar alguma coisa que elas não lhe podem dar – uma identidade, uma sensação de permanência e realização pessoal – resulta inevitavelmente em frustração e sofrimento. Toda a indústria publicitária e a sociedade de consumo ruiriam se as pessoas se tornassem iluminadas e deixassem de procurar encontrar as suas personalidades através de coisas. Quanto mais você procurar a felicidade dessa maneira, mais ela lhe fugirá. Nada do que existe no exterior lhe poderá dar satisfação, excepto temporária e superficialmente, mas você poderá ter muitas desilusões antes de compreender essa verdade. As coisas e as condições poderão dar-lhe prazer, mas também lhe poderão provocar dor. As coisas e as condições poderão dar-lhe prazer, mas não poderão dar-lhe alegria. Nada lhe poderá dar alegria. A alegria não tem causa e nasce no interior, sob a forma da alegria do Ser. É parte essencial do estado interior de paz, o estado a que se chama a paz de Deus. É o seu estado natural, não é uma coisa pela qual você tenha de lutar ou trabalhar muito. 

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