segunda-feira, 20 de abril de 2015

Poesia

Água quente me borbulha, sou a bolha que estoura; estou no ar e o vento me leva. 
O fogo apaga as minhas cinzas. 
O vazio desforja; não me machuco, pois em breve não irei mais existir. 
Quantas vezes terei que dizer não? 
Digo para fugir, mas não posso, minhas ações determinaram o que deve ser feito, eu que nunca acreditei na justiça humana faço da minha própria justiça a divina, temendo pela pior retaliação, e nego; não tenham pena de mim; meu ciclo está encerrado, as estrelas um dia se tornam poeira, e esse será o meu destino. 
A aranha irá me devorar; minha teia se desfez, minhas patas caíram pelo espaço; cosmo, perfume e amor; palavra. 
Não me resta mais nada a dizer e continuo dizendo por compulsão, talvez porque enquanto falo não posso desaparecer, e por isso não cesso, mas vou desaparecer. 
Choro e lágrimas não são do meu feitio; derreto e me apago, decerto não terei pena. 
Lamento por você, que sempre me apoiou. 
Não que eu saiba quem você é, mas ainda assim agradeço, incógnito...”

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