quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Emoção


Geralmente, uma emoção representa um padrão de pensamento amplificado ao qual foi incutida energia e, por causa da sua carga energética, muitas vezes irresistível, ao princípio não será fácil estar-se suficientemente presente para poder observá-la com atenção. 
Ela quer dominá-lo e geralmente consegue-o – a menos que você esteja verdadeiramente presente. Se for forçado a identificar-se inconscientemente com a emoção, por não estar suficiente presente, o que é normal, a
emoção torna-se temporariamente o seu eu. 
Muitas vezes estabelece-se um círculo vicioso entre o pensamento e a emoção: alimentam-se mutuamente. O padrão de pensamento cria um reflexo ampliado de si próprio na forma de uma emoção, e a frequência vibratória da emoção continua a alimentar o padrão de pensamento original. 
Quando você se fixa mentalmente numa situação, num acontecimento ou numa pessoa que é a causa perceptível da emoção, o pensamento incute energia à emoção, que por sua vez incute energia ao padrão de pensamento, e assim por diante.
Basicamente, todas as emoções são variações de uma emoção primordial e indiferenciada, que tem a sua origem na perda do conhecimento daquilo que você é para além de um nome e de uma forma. Devido à sua natureza indiferenciada, é difícil encontrar um nome que descreva essa emoção com exatidão. A palavra "medo" é bastante aproximada, mas para além de uma sensação contínua de ameaça, ela também inclui uma sensação profunda de abandono e de imperfeição. Talvez seja melhor usar um termo que seja tão indiferenciado quanto essa emoção básica e chamar-lhe simplesmente "dor". Uma das principais tarefas da mente é lutar contra essa dor emocional ou fazê-la desaparecer, essa é uma das razões para a sua atividade incessante, mas tudo o que consegue fazer é disfarçá-la temporariamente. De fato, quanto mais a mente luta para se ver livre da dor, maior é a dor. A mente nunca consegue encontrar a solução, nem se pode dar ao luxo de permitir que você descubra essa solução, porque ela própria é uma parte intrínseca do "problema". 
Você não se libertará da dor a não ser que deixe de ir buscar à mente a sensação que tem de si próprio, ou seja, de a ir buscar ao ego. A mente será então destituída da posição de poder que ocupa e o Ser revelar-se-á a si próprio como sendo a sua própria natureza.

(O Poder do Agora - Eckhard Tolle)

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