domingo, 13 de setembro de 2015

Você pode libertar-se da sua mente

Você pode libertar-se da sua mente. É a única libertação verdadeira. Poderá começar a dar o primeiro passo já neste momento. Comece por ouvir a voz dentro da sua cabeça o maior número de vezes que puder. Preste particular atenção a quaisquer padrões de pensamento repetitivos, esses velhos discos riscados que provavelmente estão a tocar na sua cabeça há muitos anos. É isso que é "observar o pensador", que é uma outra maneira de dizer: escute a voz dentro da sua cabeça, esteja lá como testemunha presencial. Ao escutar essa voz, escute-a com imparcialidade. O mesmo é dizer, não julgue. Não critique nem condene o que ouve, porque fazê-lo significaria deixar a mesma voz entrar novamente pela porta de trás. Depressa compreenderá: 1á está a voz, e aqui estou eu a ouvi-la, a observá-la. Esta consciência de que eu estou, esta sensação da sua própria presença, não é um pensamento. Tem origem para além da mente.

Por isso, quando escutar um pensamento, esteja ciente não só do pensamento, mas também de si próprio como testemunha do pensamento. Surge então uma nova dimensão de consciência. E, enquanto ouve o pensamento, sentirá uma presença consciente – a do seu eu mais profundo – por trás do pensamento, subjacente a ele. O pensamento perderá então o poder que tem sobre si e rapidamente abrandará, porque você deixou de estimular a mente através da sua identificação com ela. É o começo do fim do pensar involuntário e compulsivo.
Quando um pensamento abranda, você sente uma descontinuidade no caudal mental – um hiato de ausência de mente. Ao princípio, os hiatos serão curtos, talvez de alguns segundos, mas gradualmente tornar-se-ão mais prolongados. Quando esses hiatos ocorrem, você sente uma certa quietude e uma certa paz dentro de si. É o início do seu estado natural de união sentida com o Ser, a qual é geralmente ofuscada pela mente. Com a prática, a sensação de quietude e de paz será mais profunda. De facto, a sua profundi- dade não tem fim. Sentirá igualmente uma subtil emanação de alegria a surgir bem do fundo de si: a alegria do Ser.

Não é um estado que se pareça com um êxtase. De maneira nenhuma. Aqui não há perda da consciência. Antes pelo contrário. Se o preço da paz interior fosse uma diminuição da sua consciência e o preço da quietude uma falta de vitalidade e de vivacidade, então não valeria a pena ter essa paz e essa quietude. Nesse estado de ligação interior, você encontra-se muito mais atento, muito mais desperto do que no estado de identificação com a mente. Está plenamente presente. Esse estado eleva igualmente a frequência vibratória do campo de energia que dá vida ao corpo físico.

À medida que entra mais profundamente nesse reino de ausência de mente, como por vezes se diz no Oriente, atingirá o estado da pura consciência. Nesse estado, sentirá a sua própria presença com tal intensidade e com tal alegria que, por comparação, todo o pensar, todas as emoções, o seu corpo físico, assim como todo o mundo exterior, se tornarão relativamente insignificantes. E apesar disso, não é um estado egoísta, mas antes um estado altruísta. Transporta-o para além do que anteriormente considerava ser o "seu eu". Essa presença é a essência de quem você é, mas ao mesmo tempo é inconcebivelmente maior do que você.

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