sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Rompendo com o corpo de dor


Que acontece ao corpo de dor quando nos tornamos suficientemente conscientes para rompermos a nossa identificação com ele?

É a inconsciência que o cria: a consciência transmuta-o em si própria. S. Paulo exprimiu magnificamente este princípio universal: "Tudo é revelado quando exposto à luz, e tudo o que for exposto à luz tornar-se-á luz." Da mesma
maneira que não se pode lutar contra as trevas, também não se pode lutar contra o corpo de dor. Tentar fazê-lo provocaria um conflito interior e portanto mais dor. Basta examiná-lo. Examiná-lo significa aceitá-lo como parte do que é nesse momento.
O corpo de dor consiste em energia de vida aprisionada que se separou do seu campo de energia total e se tornou temporariamente autônoma através do processo artificial de identificação com a mente. Virou-se para dentro e voltou-se contra a vida, à semelhança de um animal que tenta devorar a própria cauda. Porque é que acha que a nossa civilização se tornou tão destrutiva, ameaçando a própria vida? Mas até mesmo as forças que destroem a vida continuam a ser energia de vida.
Quando começar a deixar de se identificar com ele e se tornar o observador, ainda assim o corpo de dor continuará a funcionar durante algum tempo e tentará levá-lo a identificar-se novamente com ele. Se bem que você tenha deixado de lhe fornecer energia através da sua identificação com ele, ele tem um certo ímpeto, tal como uma roda de fiar que continua a rodar durante algum tempo depois de deixar de ser impulsionada. Nesta fase, o corpo de dor também lhe poderá provocar mal-estar e dores em várias partes do corpo, mas estas não serão prolongadas. Continue presente, continue consciente. Seja o guardião sempre alerta do seu espaço interior. Você precisa de estar suficientemente presente para poder observar diretamente o corpo de dor e sentir a sua energia. Dessa forma, ele não poderá controlar o seu pensamento. No momento em que o seu pensamento estiver alinhado com o campo de energia do corpo de dor, você identificar-se-á com ele e voltará a alimentá-lo com os seus  .
Por exemplo, se a ira for a vibração predominante da energia do corpo de dor; e se você tiver pensamentos irados, pensando obsessivamente no que alguém lhe terá feito ou no que você lhe fará, então é porque você se tornou inconsciente e o corpo de dor tomou posse de si. Onde houver ira, haverá sempre dor subjacente. Ou quando você se sentir melancólico e começar a seguir um padrão mental negativo e a pensar que a sua vida é terrível, tal acontece porque o seu pensamento ficou alinhado com o corpo de dor e você se tornou inconsciente e vulnerável ao ataque do corpo de dor. Por "inconsciente"quero dizer estar identificado com determinado padrão mental ou emocional. Significa uma completa ausência do observador.
Uma atenção consciente e constante corta o elo entre o corpo de dor e seus processos de pensamento e provoca o processo de transmutação. É como se a dor se transformasse em combustível para a chama da sua consciência que, como resultado, arde então com mais intensidade. É este o significado exotérico da antiga alquimia: a transmutação do metal em ouro, do sofrimento em consciência. A divisão interior cura-se e você fica novamente são. Depois, cabe a si mesmo a responsabilidade de não criar mais dor.

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