quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O Verdadeiro Amor


São inseparáveis do nosso estado natural de ligação íntima com o Ser. É possível obterem-se vislumbres de amor c de alegria, ou de breves momentos de profunda paz, sempre que ocorre um hiato no caudal do pensamento. Para um grande número de pessoas, esse hiato ocorre raramente e apenas acidentalmente, quando a mente fica "sem fala", o que por vezes é provocado por uma grande beleza, por um esforço físico extremo, ou até mesmo por um grande perigo. De repente, há uma quietude interior. E nessa quietude há uma alegria subtil mas intensa, há amor, há paz.
Geralmente, esses momentos são de curta duração, pois
a mente rapidamente retoma a sua barulhenta atividade a que nós chamamos pensar. Amor, alegria e paz não podem desenvolver-se a não ser que você se liberte do domínio da mente. Mas eu não lhes chamaria emoções. Estão para além das emoções, num nível muito mais profundo. Portanto, você precisa de estar plenamente consciente das suas emoções e ser capaz de as sentir antes de poder sentir o que se situa para além delas. Emoção significa literalmente "perturbação". A palavra vem do latim emovere, que significa "deslocar" ou "perturbar". Amor, alegria e paz são estados profundos do Ser, ou melhor, três aspectos do estado de ligação interior com o Ser. Como tal, não possuem opostos, porque a sua origem está para além da mente. Por outro lado, as emoções fazem parte da mente dualista, pelo que estão sujeitas à lei dos opostos. O que significa simplesmente que não pode haver o bem sem o mal. Por conseguinte, na nossa condição não iluminada, quando ainda nos identificamos com a mente, aquilo a que muitas vezes e erradamente se dá o nome de alegria é o lado do prazer, geralmente de curta duração, do ciclo permanente de dor e de prazer. O prazer tem sempre origem em algo exterior a si, enquanto que a alegria nasce dentro de si. A mesma coisa que lhe dá prazer hoje provocar-lhe-á dor amanhã, ou então abandoná-lo-á, pelo que a sua ausência provocará dor. E aquilo a que muitas vezes chamamos amor poderá ser agradável e excitante durante algum tempo, mas é uma dependência viciante, uma  condição extremamente precária que se pode transformar no seu contrário num abrir e fechar de olhos. 
Muitos relacionamentos de "amor", passada a euforia inicial, oscilam na realidade entre "amor" e ódio, atração e ataque.
O amor verdadeiro não faz sofrer. Como poderia? Não se transforma de repente em ódio, assim como a alegria verdadeira não se transforma em dor. Como já referi, antes mesmo de você ser iluminado – antes de se ter libertado da sua mente –, poderá ter vislumbres da alegria verdadeira, do amor verdadeiro e de uma paz interior profunda, calma, mas vibrante e viva. Estes são aspectos da sua verdadeira natureza, a qual é geralmente encoberta pela mente. Mesmo num relacionamento dependente "normal", poderá haver momentos em que sentirá a presença de alguma coisa mais genuína e mais incorruptível. Mas serão unicamente vislumbres, rapidamente encobertos de novo pela interferência da mente.

(O poder do Agora - Eckhard Tolle)

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